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Desde os anos 1950, Philip Kotler organizou a ciência da mercadologia em princípios básicos e replicáveis, os 4 princípios de marketing (conhecidos como 4Ps: Produto, Preço, Praça e Promoção) que – com o passar do tempo – foram sendo multiplicados por outros autores baseados na evolução da economia. Porém, Kotler nos relembra constantemente a necessidade de se cumprir o básico para se ter sucesso em marketing como estratégia de perpetuação de negócios. E o básico, é o que todos os estudiosos de marketing, incluindo a American Marketing Association (AMA), vêm tentando remontar ao reconfirmarem que o modelo voltado ao produto (ao invés do consumidor) está praticamente esgotado.

Assim, as marcas devem basear suas inovações no que o consumidor precisa. E nada melhor do que, utilizando os acessos que as novas tecnologias proporcionam para não somente ouvir aos consumidores, trazê-los para ajudar na definição estratégica das melhores marcas. PRESUMERS (ou Prosumidores) é um novo termo cunhado sobre o termo CONSUMERS (consumidores) e denomina os consumidores engajados que têm participado do ato de produzir o que consomem ou de testes pré-lançamento de produtos e serviços realizados por empresas mais antenadas no que está se desenhando no médio prazo.

Como fenômeno social, as pessoas estão desenvolvendo cada vez mais seus talentos para empreender e se engajam quando têm espaço para se expressar e serem ouvidas, especialmente as gerações Y e Z que já nasceram utilizando as tecnologias conectadas em rede. A grande evolução das redes sociais e das tecnologias que mantêm as pessoas conectadas dioturnamente estabeleceram formas intuitivas de interação entre as pessoas e destas com as instituições e marcas. Com o desenvolvimento das tecnologias para lidar com as monstruosas quantidades de informação (Big Data), as tendências viraram realidade.

Chegando devagar e crescendo consistentemente, o chamado CROWDSOURCING (quando um grupo de colaboradores virtual e voluntariamente contribuem para a resolução de um problema ou atingir um objetivo em comum, formando um tipo de conhecimento coletivo, como fonte de novas possibilidades de solução) é mais que uma realidade viável como fonte para o desenvolvimento de produtos e também para as campanhas de marketing, por exemplo. Mas, isso é só o começo :)

Estamos num momento de transição que não é fácil detectar, pois corremos como loucos para posicionar as marcas, ouvir o consumidor, monitorar concorrentes, lidar com os problemas de logística, negociar com o varejo, puxar os fornecedores para nosso lado… ufa! Enquanto o “consumidor tradicional” já passou a ser um “CONSUMIDOR 2.0” na geração X, as novas gerações já trouxeram algo bem maior. Mas antes, confira um vídeo superlegal sobre este consumidor que evolui rapidamente.

A tendência iniciada há quase uma década (e que ainda está em curso) conhecida como CO-CRIAÇÃO em que soluções, produtos e serviços são criados ou aprimorados num consórcio de criadores e investidores, se diferencia e precede a forma como a participação dos PROSUMIDORES tem acontecido recentemente. Historicamente, consumidores eram chamados para alguns testes preliminares de soluções já totalmente desenvolvidas nas empresas e com os Prosumidores, a participação acontece muito antes, ao contribuirem para a criação e desenvolvimento de soluções com opiniões ou insights. Não estou falando de CUSTOMIZAÇÃO, mas de um novo jeito de se criar coisas, um novo paradigma ou modelo para se definir tendências e criar produtos ou serviços. O Linux é emblemático para entendermos o que se diz como tendência, pressupondo uma maior necessidade de liberdade de se criar o que se quer consumir.

Qual a relevância disso tudo? Boa pergunta, my friend! :)

Com o novo perfil de consumidores destas novas gerações, estar à frente das tendências passa a ser um diferencial competitivo muito importante, pois não cabe mais somente aos engenheiros e geeks de plantão definir o futuro do que será colocado no mercado. Se, por exemplo, considerarmos o número de blogs em nível mundial, passamos de 100 milhões opções (milhões de pessoas se expressando e produzindo suas próprias versões de conteúdo que julgam relevante). Recentemente, a leitura do que os consumidores desejam vem sendo captada e interpretada pelos profissionais de marketing com seus times de CONSUMER INSIGHTS, mas os PROSUMIDORES não são mais passivos e isso não é mais suficiente. Eles ativamente contribuem para a pesquisa e desenvolvimento (P&D) o que, segundo a publicação do Trendwatching.com, se justifica por algumas necessidades do novo perfil de consumidor:

  1. Pioneirismo + Imediatismo: numa sociedade em que tudo é possível ser acessado ou adquirido instantaneamente e também devido à maciça oferta de opções de produtos e soluções que podem ser consumidos, a diferenciação e expressão dos consumidores favorece a valorização de “ser o primeiro” a ter o que é novo. Vimos exemplo disso com os produtos da Apple lançados na última década;
  2. Status ao ter uma história pra contar: ao querer se diferenciar, fazer parte do desenvolvimento de novas soluções torna-se algo excitante para quem se torna um Prosumidor;
  3. Fazer parte de um movimento: além de poder contar uma história diferenciada, quando os Prosumidores se tornam tendência, ficar de fora não pega bem, o que reforça uma nova expressão de cultura e consumo;
  4. Protagonismo virtual é o novo real: o mundo virtual ajuda a predispor à participação ativa e o Prosumidor passa a ser um protagonista também. Por exemplo, com a mudança na legislação americana, pessoas comuns poderão investir em projetos que sejam de seus interesses e dos quais participem na criação. A publicação aponta que se os americanos decidissem investir em novos projetos apenas um décimo do que apostam em jogos, isso representaria US$ 55 bi ao ano;
  5. Make-it-Yourself: depois do Do-It-Yourself, o Make-It-Yourself é uma tendência favorecida pelo crowdsourcing e que traz o empreendedorismo a um novo patamar. Além de fazer, as pessoas passam a se aperceber mais da capacidade de criação que possuem e isso gera o ciclo favorável de novas soluções e aumento do número de micro e pequenas empresas mundo afora.

O desafio à frente continua sendo a forma como é possível extrapolar este desenvolvimento conjunto de soluções para mercados competitivos e em constante evolução. Para que determinado produto ou serviço tenham sucesso no mercado, precisam ser relevantes ou desejáveis para um grande número de pessoas e ter a participação ativa de Prosumidores não tem como ser uma solução única para se definir uma estratégia voltada ao consumidor. Mas, certamente, é uma excelente mudança para o modelo mental predominante em muitas empresas presas ao século XX.

Check it out…

http://www.trendwatching.com/briefing/

http://www.trendwatching.com/trends/customer-made.htm

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